O mercado imobiliário brasileiro sempre foi um tema de grande interesse, especialmente para quem busca segurança e rentabilidade. Em uma conversa com a jornalista Mara Luquet, Igor Melro, diretor da Porte, desmistifica dúvidas e aponta caminhos para investidores.
O Imóvel como ativo sólido
A pergunta que muitos se fazem é: vale a pena investir em imóveis com uma taxa Selic elevada? Igor Melro é enfático: “Vale, vale sim a pena”. Ele explica que, embora a Selic possa atingir picos, a média histórica é significativamente mais baixa. Ao analisar a renda gerada pelo imóvel somada à sua valorização ao longo dos anos, percebe-se que, estatisticamente, o retorno supera a média histórica da Selic.
Além da rentabilidade financeira, o imóvel carrega um valor estratégico inegável.
Investir x Morar
A decisão de comprar um imóvel para morar ou para investir envolve diferentes critérios. Ao adquirir para moradia, a família busca atender às suas necessidades diárias, considerando fatores como deslocamento em grandes cidades. Contudo, é essencial também olhar para a transformação da região a médio e longo prazo, que pode ser decisiva para a melhor escolha.
A dinâmica das famílias está mudando, com tendências de famílias menores e maior longevidade. O mercado imobiliário precisa se adaptar a essas novas demandas, mas sempre com equilíbrio na oferta, evitando a superoferta de um único tipo de imóvel em determinada região.
Os erros comuns do Investidor
O grande erro do investidor imobiliário é focar apenas na “fotografia do momento presente”, sem tentar antecipar as transformações da região. É preciso ter um olhar mais amplo, “ir um pouquinho além de onde todo mundo está olhando”.
E onde estão essas oportunidades “escondidas”? Igor Melro aponta para a Zona Leste de São Paulo. A Zona Leste possui um potencial de valorização imenso no médio e longo prazo.
Por que a Zona Leste?
De acordo com Igor Melro, vale a pena investir em imóveis na região Leste de São Paulo por 5 motivos principais:
- Localização Estratégica: A região tem proximidade com o maior aeroporto internacional da América do Sul (Guarulhos), posicionando-a em uma área de grande PIB.
- Grande Massa Populacional: O Leste abriga quase 40% da população de São Paulo, e somando-se a municípios conectados como Itaquá e Arujá, a população total é de aproximadamente 5 milhões de pessoas. Essa massa populacional é uma força de trabalho significativa.
- Alto Potencial de Valorização (Prêmio): Por ser uma região ainda em desenvolvimento e não tão “atraente” para o investidor convencional no momento, ela oferece um “prêmio bastante grande”, ou seja, uma capacidade maior de capturar valor e valorizar no médio e longo prazo.
- Déficit de Oferta de Imóveis Comerciais e Corporativos: Em comparação com sua grande população, a Zona Leste possui uma oferta muito baixa de salas comerciais (apenas 5% do inventário da cidade) e prédios corporativos de alto padrão (apenas 4 prédios em contraste com os 1.700 de São Paulo). Isso indica um mercado com grande demanda não atendida.
- Transformação e Desenvolvimento em Andamento: A região está passando por uma série de transformações na indústria e logística, e há muito a ser feito em termos de desenvolvimento, o que gera diversas oportunidades de investimento.
Para Melro, a Zona Leste é “praticamente uma cidade” com muito a ser desenvolvido, o que representa um “prêmio” (potencial de ganho) considerável para quem investe lá.
O que evitar?
Ao ser questionado sobre o que ele jamais faria, Igor é direto: “vender algo que eu não acredito”, ou seja, um produto que não trará retorno real ao investidor ou que não será útil para a sociedade.
Ele alerta para o risco de investir em imóveis superofertados. Como exemplo, cita Alphaville, no município de Barueri, que, apesar de ter uma população de 350 mil habitantes, possui mais de 1 milhão de m² de imóveis comerciais e corporativos, gerando um desequilíbrio que pode não ser interessante para o investidor.
Conclusão
Investir no mercado imobiliário brasileiro exige um olhar atento às tendências de longo prazo. As dicas de Igor Melro reforçam a importância de diversificar os investimentos, buscar regiões com potencial de crescimento ainda não explorado e, acima de tudo, priorizar a utilidade e o valor real do imóvel para a sociedade.